Hoje a nossa entrevista é com Wagner Bianchi, especialista em MySQL. É o primeiro Oracle ACE MySQL do Brasil e membro de um seleto grupo formado até então por 10 pessoas ao redor do mundo. São mais de 10 anos de experiência MySQL, já atuou como consultor em países da América Latina, Europa e Ásia. É instrutor oficial MySQL em Performance Tuning, Desenvolvimento, Alta Disponibilidade e Administração de Banco de Dados e possui todas as certificações MySQL.

 
 

 
 

Wagner, seja bem-vindo ao portal Certificação BD! Já conhecia nosso site?

Sim, claro, venho acompanhando você pelo twitter e gostaria de deixar aqui os meus parabéns pela iniciativa. A turma precisa se certificar. Parabéns pelo canal.

1) Você já trabalhava com MySQL antes da aquisição da SUN pela Oracle? Alguma diferença significativa para os profissionais MySQL após essa aquisição?
 
Comecei a trabalhar com o MySQL quando eu ainda desenvolvia sistemas em PHP, eu tinha uma empresa de desenvolvimento e desenvolvíamos um ERP todo na WEB e o MySQL já era um servidor de bancos de dados que nos possibilitava, além de poupar grana, por ser desde o início um produto GPL, nos entregava também muito flexibilidade, rapidez nas operações e capacidade de escalabilidade de acordo com o crescimento dos negócios dos nossos clientes daquela época. Muita coisa realmente mudou quando o MySQL atingiu sua versão 5.0, ainda sob o desenvolvimento da MySQL AB. Quando a Sun comprou a MySQL AB e continuou o desenvolvimento do MySQL, agora já versão 5.1, a coisa não foi bem, o MySQL iniciou um período complicado em quase tudo que a Sun desenvolvia para o produto era motivo de grande perda de tempo, pois, não funcionava como devia, muitas coisas impactavam muito na performance do produto e a turma que não quis encarar bugs, voltou para o 5.0. Houve um momento que a Sun manteve três versões do MySQL em desenvolvimento contínuo causando uma confusão terrível para o usuário final, tempos em que Jim Starkey da turma do Interbase/Firebird foi incorporado ao MySQL 5.4, sendo este o responsável do Falcon Storage Engine, que infelizmente, não funcionou, apesar de sua ótima proposta. Quando a Oracle entrou na jogada, comprando a Sun Microsystems e levando o MySQL na mesma caixa, pensamos inicialmente que seria o fim do produto, que há algum tempo já começava e tomar espaço do Oracle Database, mas, pelo contrário, a Oracle lançou a sua primeira versão do MySQL, a 5.5 e hoje esta versão é também considerada um marco na existência do software de banco de dados mais popular do mundo. Muito mais estável, com ótima performance, muito novos recursos e com muito mais possibilidade de escala.

2) Quando e por que iniciou os seus estudos para tirar suas certificações? Como foi sua preparação? Você utilizou algum simulado para ajudar nos estudos?
 
Eu fui aluno dos gurus do MySQL no Brasil, os caras que realmente iniciaram o movimento por aqui e tudo nasceu aqui mesmo em Minas Gerais, na capital Belo Horizonte. Eu ainda estava na Faculdade, tempo em que geralmente você busca alguma coisa que seja interessante para seguir carreira. Tive essa oportunidade com os caras que iniciaram todo o processo latino-americano de evagelização do uso de software livre também para bancos de dados, gostei e segui em frente, queria ser instrutor de cursos oficiais da MySQL AB. Para isso, precisava certificar por completo, não podia ser somente uma prova. Foi então que respirei fundo, comprei o livro MySQL Certification Guide 5.0 em inglês (na época foi complicado, meu inglês não era bom) e fui em frente, tinha que fazer as certificações. Fiz primeiro as duas provas do CMDEV (Certified MySQL Developer) por estar mais habituado a programar e depois fui para as provas do CMDBA (Certified MySQL Administrator). Consegui ótimos scores e passei por uma avaliação, já na Sun Microsystems e me tornei Instrutor Oficial. Não existia naquela época coisas como Test King e simulados para fazer você passar na prova, tinha que estudar mesmo – me lembro que gastei 15 dias para cada prova, estudando 8 por dia cada parte do livro que é relacionado com cada uma das quatro provas. Já trabalhando para a Oracle, tirei o CMCDBA (Certified MySQL Cluster Database Administrator) que é uma prova bem mais complicada e chega a discutir alinhamento e deslocamento de bytes para dados de tipos CHAR e VARCHAR, posicionamento de memória para dados armazenados em tabelas do tipo InMemory e várias outras coisas que requer bastante experiência com cluster.

3) Sobre o título de Oracle ACE para MySQL (primeiro do Brasil) como foi o reconhecimento e qual a sua importância? Observando sua trajetória profissional, podemos notar que você possui empresas como Oracle, IBM e Percona no currículo. Ter trabalhado nessas empresas ajudou no seu desenvolvimento profissional para alcançar o título ACE?
 
Eu gosto do MySQL, gosto porque eu conheço e não acontece diferente com quem realmente conhece o produto. Seria muito fácil eu falar que algo é ruim sem antes conhecer para poder fazer alguma crítica construtiva. O MySQL nasceu para pequenos sistemas e o seu padrão de configuração após uma instalação era para armazenar pouca quantidade de dados em memória e a turma não sabia ajustar isso – por isso ficou que o MySQL é isso ou aquilo. Eu fui investigar, saber por que um produto foi criado para atender somente sites pequenos. Acabei descobrindo que não é bem assim. Se você sabe mexer no parafuso certo, o céu é o limite. Com isso, eu puder conhecer o MySQL e fazer as coisas funcionarem quando o cliente me apresenta um problema. Por ter esta propriedade e conhecimento no produto, o pessoal da Oracle resolveu me fazer o convite e me sinto muito orgulhoso em ser o primeiro Oracle MySQL ACE do Brasil e da América Latina porque não é fácil ter esse tipo de reconhecimento. Para o meu currículo foi muito bom e as empresas passam a lhe ver com outros olhos e não só pelo ACE, mas também por ter passado por empresas com as tais que você citou na sua pergunta. Toda a sua trajetória conta para que você seja eleito Oracle ACE, participação em fóruns, o fórum oficial do MySQL principalmente, ter participado de projetos e ajudado as empresas a resolver problemas de escalabilidade e alta-disponibilidade, além de performance e até ajuste do código por trás do MySQL, isso tudo conta e a turma está antenada com os seus passos. Sempre tem alguém te olhando, isso é certo. Usando as palavras do Rodrigão Almeida, a.k.a. Alphamek, “é bom ter um troféu com o seu nome em casa”.

4) Você está cursando um MBA em Banco de Dados e já Pós-Graduado em Gestão de Bancos de Dados, qual a comparação desses estudos com os estudos para certificações? O que tem maior peso para o mercado de trabalho?
 
Eu sempre gostei muito de estudar, estar em contato com os novos livros e novos artigos, conhecer novas tendências e poder aplicar tais ciências no meu dia-a-dia, a inovação com responsabilidade faz parte do nosso trabalho e você precisa estar em contato com aquilo a todo momento e a toda hora. As coisas acontecem no mesmo momento agora e você precisa estar preparado para a guerra em a qualquer momento. Aliando as certificações com os estudos acadêmicos, eu vejo que consegui formar um conjunto necessário de habilidades que utilizado para perceber problemas ou mesmo me antecipar a eles. é muito importante que o profissional tenha um histórico acadêmico que é a base fundamental, unindo isso às certificações que provam para as empresas que você é habilitado a pilotar certa tecnologia. Sem o fundamental você até faz certificações, mas, não considero que tudo o que está sendo cobrado ali será entendido pelo candidato.

5) Fale um pouco sobre os seus treinamentos em MySQL. Qual o perfil dos profissionais que procuram os seus treinamentos? Como está o mercado para um DBA com habilidades apenas em MySQL?
 
Olha, tenho ministrado muito treinamento de MySQL, ultimamente com o pessoal da Linux Solutions. Já tivemos algumas turmas para o treinamento de MySQL Cluster e também para o performance tuning e o perfil do profissional que procura o um curso de MySQL é daquele que já trabalha com o MySQL em ambientes críticos, o negócio está crescendo e ele está precisando aperfeiçoar o que já sabe, ou seja, precisa saber como fazer o MySQL escalar melhor, como ajustar o MySQL para ter melhor performance, conhecer mais sobre InnoDB, tipos de dados, particionamento de tabelas, a melhor forma de escrever um trigger ou uma procedure, trabalhar questões de indexação e de quebra de replicação e a utilização do MySQL Enterprise Backup/Monitor. A maioria dos alunos que tive até hoje saiu dos treinamentos com uma outra percepção do MySQL, sempre muito satisfeitos e com muito dever de casa a ser feito. O MySQL é um mundo, são muito os pontos a serem explorados, é preciso somente conhecer e saber o que fazer em situações específicas.

 
Certificações do nosso entrevistado:

Oracle ACE (MySQL)
CMA (MySQL Certified Associate)
CMCDBA – (MySQL Certified Cluster Database Administrator)
CMDBA I (MySQL Certified Database Administrator I)
CMDBA II (MySQL Certified Database Administrator II)
CMDEV I (MySQL Certified Developer I)
CMDEV II (MySQL Certified Developer II)

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